‘Ah, se eu fosse Marilyn!’ aborda expectativa e realidade

01/09/2021


Montagem é um dos projetos premiados no Festival Acessibilidança


O Festival Funarte Acessibilidança apresenta o espetáculo Ah, se eu fosse Marilyn!, do coreógrafo e pesquisador Edu O., nesta quarta-feira, 1º de setembro, às 20h. A performance foi criada pelo primeiro professor cadeirante de uma faculdade de Dança do Brasil, o Edu. “A obra é uma proposta artística que versa sobre os padrões corporais e morais impostos às individualidades e particularidades de cada um. Suas reflexões são menos sobre o desejo de ser igual a uma outra pessoa — no caso, a atriz Marilyn Monroe —, mas, sobretudo, acerca do que ela representa no imaginário coletivo, sobre o que se projeta de expectativas para o outro”, aponta o dançarino.

Ah, se eu fosse Marilyn!, da Bahia (BA), faz parte dos 25 projetos que estão sendo apresentados, gratuitamente, pelo Festival, de junho a outubro deste ano.A montagem é inspirada no texto Dias Felizes, de Samuel Beckett, e será exibida em vídeo com audiodescrição e Libras, no canal da Funarte no YouTube. Todas as montagens já lançadas ficam disponíveis em: bit.ly/FunarteYouTubeFestivalAcessibiliDanca.

“Um festival como o Acessibilidança apresenta-se como um importante mapeamento da criação em dança de artista com deficiência no País. Demonstrando a importância e necessidade de investimentos na formação e produção desses artistas, além de chamar atenção para a acessibilidade cultural. Espero que também estejamos em outros festivais, editais e espaços não exclusivos, unicamente, ao discurso da deficiência”, ressalta o intérprete-criador.

Ah, se eu fosse Marilyn! é concebido a partir da construção e desconstrução de imagens corporais do cotidiano. Enterrado até a cintura com areia (da praia) ou roupas e objetos (do quarto), a performance reflete sobre a passagem do tempo que nos consome e nos transforma.“Quando lembramos dos nossos sonhos antigos e nos damos conta do que nos tornamos, podemos nos questionar: Onde chegamos? O que é dar certo? O que é o sucesso? Sou o que desejei para mim? Que rastros fui deixando pelo caminho? Quem tem direito ao seu próprio desejo ou a ser quem se é? Como podemos pensar essas questões no contexto das pessoas com deficiência?”, questiona.

A performance foi realizada entre dezembro e janeiro (2020/2021) e traz imagens feitas no quarto do artista e, também, na praia, onde originalmente o trabalho foi criado, concebendo um ambiente entre realidade e sonho. No vídeo, a audiodescrição é parte integrante da obra, tecendo o fio condutor da narrativa; e a interpretação em Libras também é compreendida dentro da sua estética. O próprio dançarino é o intérprete e utiliza os sinais para seus movimentos coreográficos.

Sobre o coreógrafo Edu O.

Edu O. é artista da dança, performance, teatro, escritor e professor da Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Mestre em Dança com especialização em Arteterapia e doutorando em Difusão do Conhecimento, na Universidade Católica do Salvador (UCSal). Diretor do Grupo X de Improvisação em Dança e cofundador do Coletivo Carrinho de Mão. Entre seus trabalhos artísticos, destacam-se: Judite quer chorar, mas não consegue!; Odete, traga meus mortos; Ah se eu fosse Marilyn; O Corpo Perturbador; Bonito; Striptease-bicho, e Kilezuuummmm. Com experiência internacional, é artista e produtor do intercâmbio Brasil-França Euphorico, parceria entre o Grupo X e Cie Artmacadam, no ano de 2004. Atuou junto à companhia inglesa Candoco Dance Company, Cie Kastor Agile (França) e o coreógrafo Alito Alessi (EUA).