Após "boom" do varejo, atacadistas de Curitiba apostam no e-commerce

02/03/2022


Empresas ampliam canais de atendimento e vendem via loja virtual, marketplace, telefone e WhatsApp



A pandemia do Covid-19 tornou a digitalização vital para estabelecimentos de diversos segmentos comerciais. Com crescente demanda por produtos nas plataformas online, áreas até então com pouca intimidade com esse formato de vendas – como os atacados – compreenderam a importância das plataformas digitais para impulsionar o faturamento.


Em setembro de 2020, uma pesquisa da Nielsen revelou que 48,4% das empresas do segmento não estavam no comércio online. Mas, diante da explosão do varejo via e-commerce, com os comerciantes buscando cada vez mais praticidade e agilidade na hora de abastecer seus estoques, os atacados também acabaram se rendendo aos novos tempos.


“A pandemia acelerou um processo que já iria acontecer e que é irreversível", analisa o consultor e presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), Eduardo Terra. “Os pequenos negócios já vendiam online, de certa maneira, fosse pelo WhatsApp ou por outra ferramenta. Era questão de tempo até que o atacado passasse a atender essa necessidade.”


A própria Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados (Abad) já se preparava para ingressar no meio digital antes da crise sanitária. Mas, com a pandemia, o plano de criar um marketplace próprio foi antecipado e, em agosto, a entidade lançou o Abastecebem.com.


Na plataforma, o comprador encontra de produtos de limpeza a utensílios para casa e itens alimentícios. Além de fazer a busca pelo nome da marca e categoria, há ainda a possibilidade de acessar listas prontas de acordo com o segmento comercial que precisa ser abastecido. Para isso, é necessário se cadastrar no site.


Há dois anos, antes do marketplace da Abad e da crise sanitária, a Ambev criou o Parceiro BEES, uma plataforma voltada a estabelecimentos como bares e restaurantes, que permite a compra de produtos como cervejas, massas, biscoitos, balas etc. O objetivo é trazer mais praticidade para o comerciante, contribuindo para que ele poupe tempo e tenha mais controle de suas compras e estoque.


O aplicativo, que já é utilizado por mais de 90% dos clientes da Ambev, conta com indústrias parceiras como Bunge, Camil, Piracanjuba e Mondelez, oferecendo mais de 350 itens. A lista de produtos disponíveis pelo app deve aumentar em 2022 – neste ano, a companhia firmou parceria com BRF, detentora de marcas como a Sadia e a Perdigão.


Outro destaque do BEES é o sistema de “cashback”: a cada R$ 1 gasto em compras, o usuário ganha de um a três pontos que podem ser trocados por diversos produtos. “Ações assim auxiliam o micro e pequeno empreendedor, porque ajudam a diminuir valores", explica Luciano Bartolomeu, diretor-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Paraná. “Tendo menos despesa, você pode ter um retorno maior e, consequentemente, consumir mais.”


Em Curitiba, a tendência de estabelecimentos atacadistas ingressarem no mundo virtual já pode ser percebida. Uma aliada dos comerciantes paranaenses que buscam facilitar sua rotina e reduzir gastos é a Gold Food Service.


Criada em 2003 pelo curitibano Ozeias Teixeira de Oliveira, a distribuidora sempre atendeu exclusivamente o setor de alimentação fora de casa e, com as recentes mudanças no mercado, entendeu que precisava ampliar seus canais de atendimento. Assim, passou a vender via loja virtual, marketplace, telefone e WhatsApp.