Após passeio de moto em SP, Bolsonaro discursa contra máscaras

12/06/2021


A polícia de SP acompanhou o passeio ao custo de R$ 1,2 milhão



Um passeio de motociclistas em apoio e com a participação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) provocou interdições em vias da capital paulista, na manhã deste sábado (12). O evento foi organizado por dezenas de motoclubes de São Paulo e de outros estados e a maioria dos participantes não usou máscaras.


Bolsonaro, seu filho Eduardo, e o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes, foram multados por não usarem máscara. Durante o trajeto, motociclistas se envolveram em acidentes, a maioria cobriu a placa da moto com fitas adesivas e também houve aglomeração. Faixas antidemocráticas pedindo a intervenção militar foram exibidas aos participantes.


No encerramento do passeio, na região do Parque Ibirapuera, Bolsonaro discursou e falou, mais uma vez, contra o uso de máscaras e o isolamento social, e a favor de remédios sem eficácia. O presidente também voltou a dizer que houve excesso de notificações de mortes por Covid-19.


Nesta semana, Bolsonaro afirmou a apoiadores que um suposto relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) lançaria dúvida sobre parte dos óbitos registrados em decorrência da pandemia. Pouco depois da declaração, o TCU negou que tenha emitido algum relatório questionando o número de mortes por Covid-19 em 2020.


"[Há] indício robusto que houve, sim, supernotificações. E caso nós venhamos a comprovar isso, vamos ver que o Brasil passaria a ser um dos países que tem o menor índice de morte por habitante. E onde está o segredo disso? Que parece ser pecado falar: está no tratamento precoce. No ano passado, eu com 65 anos de idade fui acometido de Covid e tomei hidroxicloroquina. No dia seguinte, estava curado", afirmou no discurso deste sábado.


Sobre o isolamento social, medida empregada pela maioria dos países do mundo para evitar a circulação do coronavírus, Bolsonaro voltou a dizer que não existe "fundamentação para tal".


"O isolamento social praticado no Brasil, em especial em São Paulo, não encontra fundamentação cientifica para tal. Sempre falei no isolamento vertical. O meu governo não fechou comércio, o meu governo não decretou lockdown. O meu governo não impôs toque de recolher. Quem fez isso, fez errado", disse.


A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo afirmou que gastou mais de R$ 1,2 milhão com o reforço no policiamento na capital paulista e região de Jundiaí.


Dos mais de 6,3 mil policiais escalados, 1.433 atuaram exclusivamente ao longo dos 129 km do trajeto. "A ação contou ainda com dedicação exclusiva de 5 aeronaves, 10 drones e aproximadamente 600 viaturas, entre motos, carros, bases comunitárias móveis e unidades especiais. Todo ato foi monitorado pelo sistema Olho de Águia, por meio de câmeras fixas, móveis, motolink e bodycams", diz nota da Secretaria.


Por conta do passeio, a Polícia Militar fez bloqueios em vias como a Avenida Santos Dumont, Avenida do Estado, Marginal Tietê, Rodovia dos Bandeirantes e Avenida Pedro Álvares Cabral. Sete linhas de ônibus também foram desviadas.


A Prefeitura de São Paulo gastou R$ 75 mil com a contratação de gradis para auxiliar na organização e contenção de público, conforme solicitação do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República.


De acordo com a CET, os bloqueios ficaram a cargo da Polícia Militar, por questões de segurança. O grupo começou a se reunir por volta das 7h na Avenida Olavo Fontoura, na região do sambódromo, na Zona Norte.


Sem máscara, Bolsonaro chegou ao evento intitulado "Acelera para Cristo", por volta das 10h, e provocou aglomeração. Com a chegada do presidente, os motociclistas iniciaram o deslocamento. Além de vias da capital paulista, o evento inclui uma ida até Jundiaí, pela Rodovia dos Bandeirantes. No total, o trajeto foi de cerca de 120km foi encerrado na região do Ibirapuera, na Zona Sul.


Da Marginal Tietê, o grupo se deslocou para a Rodovia dos Bandeirantes, que ficou interditada para veículos em ambos os sentidos dos kms 14 ao 61 Como alternativa, a concessionária falou para utilizar a rodovia Anhanguera, que ficou congestionada.


Durante o trajeto, motociclistas caíram de suas motos. No km 30, um homem sofreu uma fratura no pé, sem gravidade, e foi socorrido pela a equipe da concessionária.