Athletico e Coritiba defendem nova divisão de cotas de TV

23/09/2022 Os representantes defendem um modelo similar ao do Campeonato Inglês

Os clubes que formam a Liga Forte Futebol do Brasil (LFF), entre eles o Athletico Paranaense e o Coritiba, fizeram uma ação coordenada nas redes sociais nesta quinta-feira, chamando atenção à questão da divisão dos valores das cotas de televisão no País. Os representantes defendem um modelo similar ao do Campeonato Inglês (Premier League), acreditando ser a forma mais justa para a distribuição do montante arrecadado pelas equipes. A Premier League, liga responsável pela organização do Inglês, divulgou nesta quarta os valores que os clubes receberam na temporada 2021/22 dos contratos relacionados à TV. No total, foram 2,5 bilhões de libras (cerca de R$ 14,6 bilhões) entre as 20 equipes que disputam a elite inglesa. “Na Premier League o clube de maior receita recebeu 153 milhões e o de menor, 101 milhões. Diferença de 1,5x. Os fatos mostram que uma divisão mais equilibrada gera mais competitividade e mais receitas. Esse é o conceito em que acreditamos e o motivo pelo qual fazemos parte da #LigaForteFutebol”, publicaram os clubes. A LFF é composta por 25 clubes, sendo eles: América-MG, Athletico, Atlético-GO, Atlético-MG, Avaí, Brusque, Chapecoense, Coritiba, Ceará, Criciúma, CRB, CSA, Cuiabá, Fluminense, Fortaleza, Goiás, Internacional, Juventude, Londrina, Náutico, Operário, Sampaio Corrêa, Sport, Vila Nova e Tombense. Os números apresentados são do blog The Swiss Ramble, especializado em negócios do futebol. Cada um dos 20 clubes da Premier League recebeu 87,5 milhões de libras (R$ 513 milhões) em partes iguais, provenientes de direitos de TV domésticos (31,8 milhões de libras), direitos no exterior (48,9 milhões de libras) e receita comercial (6,8 milhões de libras). O restante é dividido de acordo com o número de jogos transmitidos por cada equipe, além, é claro, da colocação ao final da competição no Campeonato Inglês. A divisão das cotas de TV, em especial do pay-per-view (PPV), pago pela Globo, é considerado o principal entrave para a criação de uma liga unificada. Enquanto o Flamengo recebe R$ 160 milhões por contrato, e o Corinthians R$ 110 milhões, clubes como Fortaleza, que disputou a edição atual da Libertadores, aparecem na parte inferior desta tabela, com apenas R$ 2,8 milhões. “É por isso que defendemos uma divisão mais justa de recursos na criação da liga de clubes no Brasil. Um campeonato mais equilibrado atrai mais investidores e assim todos crescem. O melhor exemplo é a Premier League, onde clubes de porte médio conseguem fazer grandes investimentos. Na liga inglesa, a diferença entre o que mais ganha e o que menos ganha é muito baixa”, afirma o presidente do Fortaleza, Marcelo Paz. “Nós caminhamos há muitos anos com a divisão de valores que não é a ideal, que privilegia de fato alguns clubes, e nós queremos mudar esse cenário. Precisamos quebrar a ideia de que o futebol brasileiro é conhecido no mundo inteiro. O nosso campeonato não passa em Cingapura, no Canadá, na Bélgica, lá eles não conhecem as nossas marcas e esse movimento da Liga visa um campeonato mais forte, com uma divisão mais equilibrada para vender para o mundo inteiro e tornar a nossa marca conhecida”, acrescentou o mandatário. Já o Internacional, considerado um dos clubes mais vitoriosos do país, recebe “apenas” R$ 18,8 milhões. É apenas o nono na lista dos que mais faturam de PPV, atrás de Flamengo, Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Vasco, Grêmio, Cruzeiro e Atlético-MG. “São muitas as questões a serem debatidas e melhoradas, como calendário, estádios, arbitragem, matchday, todas as alternativas possíveis de comercialização. Mas entendemos que a divisão desses recursos deve seguir os exemplos de ligas bem-sucedidas no mundo. Essa redução na desigualdade fará com que tenhamos um produto mais valorizado, competitivo e, portanto, com ganhos significativos para que todos os clubes façam frente às exigências necessárias para construir um produto mais forte”, disse Alessandro Barcellos, presidente do Internacional. No início do mês, representantes dos times que formam a LFF se reuniram em São Paulo para apresentar suas propostas para a criação de uma liga única e independente da CBF, com o objetivo de organizar os campeonatos da primeiras e da segunda divisão do futebol brasileiro. A formação da LFF surgiu em oposição à Libra, cujo a proposta para a divisão das receitas não agradou a maior parte dos clubes que participam atualmente das séries A e B do Campeonato Brasileiro. Ela propõe uma divisão de receitas em que 40% seja feita de forma igualitária, 30% por desempenho e outros 30% por audiência e engajamento – sem critérios muito claros quanto a isso. Já a LFF defende o montante seja dividido em 45%, 25% e 30%, respectivamente. A Libra é formada por Botafogo, Cruzeiro, Corinthians, Flamengo, Grêmio, Guarani, Ituano, Novorizontino, Palmeiras, Ponte Preta, Red Bull Bragantino, Santos, São Paulo e Vasco. As equipes do bloco não se manifestaram após a ação desta quinta-feira. Valores que cada clube brasileiro recebe pelo PPV da Globo em 2022: Flamengo: R$ 160 milhões por contrato (19%) Corinthians: R$ 110 milhões por contrato (12%) São Paulo: R$ 36 milhões (9%) Palmeiras: R$ 32 milhões (8%) Vasco e Grêmio: R$ 29 milhões (7%) – jogam a Série B Cruzeiro: R$ 25,2 milhões (6%) – joga a Série B Atlético-MG: R$ 20 milhões (5%) Internacional: R$ 18,8 milhões (5%) Santos: R$ 15,6 milhões (4%) Fluminense: R$ 15,6 milhões (4%) Botafogo: R$ 14,2 milhões (3,5%) Bahia e Sport: R$ 8 milhões (2%) – jogam a Série B Ceará: R$ 3,2 milhões (0,81%) Fortaleza: R$ 2,8 milhões (0,7%) Coritiba: R$ 2 milhões (0,5%) Goiás: R$ 800 mil (0,2%) Atlético-GO, Avaí, América-MG, Juventude, Bragantino e Cuiabá: R$ 400 mil cada (0,7% somados)