Bolsonaro participa de desfile de blindados em Brasília

10/08/2021


Presidente usou as redes sociais para convidar os chefes de Poderes a assistir às manobras




O presidente Jair Bolsonaro acompanhou, na manhã desta terça-feira o desfile de tanques e veículos militares blindados, na rampa do Palácio do Planalto, em Brasília. O evento, que contou com cerca de 150 veículos militares, tem como mote a entrega de convite a diversas autoridades da República para participarem do dia de Demonstração Operativa, no próximo dia 16 de agosto.


Bolsonaro recebeu o convite das mãos de um militar, ao lado da cúpula das Forças Armadas e ministros. Depois de passar pela Praça dos Três Poderes, os tanques e blindados seguiram pela Esplanada dos Ministérios e pararam em frente ao prédio da Marinha, onde ficarão expostos.


Junto a Bolsonaro no evento estavam os comandantes do Exército, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, e da Marinha, Almir Garnier Santos; o chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Augusto Heleno; o chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas, Laerte de Souza Santos; e o ministro da Defesa, Walter Braga Netto.


Outros ministros acompanharam o ato, como o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI); o ministro da Educação, Milton Ribeiro; o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Eduardo Ramos, entre outros. Todos aparecem sem o uso de máscara.


O comboio de veículos militares blindados faz parte da Operação Formosa, um treinamento militar que, pela primeira vez, tem a participação do Exército e da Força Aérea.


Para chegar a Formosa, não é necessário passar pelos arredores do Congresso. Além disso, a Operação Formosa - promovida pela Marinha desde 1988 - tradicionalmente não incluía, como nesta edição, o Exército e a Aeronáutica. Parlamentares acusam o exercício de tentativa de intimidação do Congresso brasileiro, uma vez que acontecerá no dia da votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) do voto impresso pela Câmara.


A Marinha brasileira informou por meio de nota que o desfile foi planejado antes da agenda de votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) do voto impresso pela Câmara e "não possui relação com a mesma, ou qualquer outro ato em curso nos Poderes da República".


Diante das suspeitas provocadas pelo inédito desfile bélico em frente do Palácio do Planalto, Bolsonaro usou ontem as redes sociais com o objetivo de convidar presidentes de Poderes para assistir às manobras militares. Na mensagem Bolsonaro, se apresenta como "Chefe Supremo das Forças Armadas".


O anúncio da presença de um comboio de tanques na Praça dos Três Poderes provocou uma série de protestos, porque a operação ocorre justamente no dia em que a Câmara votará a proposta de emenda à Constituição que institui o voto impresso.


"Sr. Presidente do ... STF, Câmara Federal, Senado, TCU, TSE, STJ, TST, Deputados, Senadores... : Como ocorre desde 1988, a nossa Marinha realiza exercícios em Formosa/GO. Como a tropa vem do Rio, Brasília é passagem obrigatória. Muito me honraria sua presença amanhã na Presidência (08h30), onde receberei os cumprimentos da Força e lhes desejarei boa sorte na missão", escreveu Bolsonaro.


Desde 8 de julho, não foram poucas as vezes em que Bolsonaro disse que não haveria eleições sem voto impresso no País. A ameaça também foi feita naquele mesmo dia pelo ministro da Defesa, Walter Braga Netto, a um importante interlocutor político, que tratou de repassar o recado ao presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), como revelou o Estadão.


Divulgado pela Marinha como uma deferência a Bolsonaro, o desfile bélico provocou críticas de parlamentares, que se sentiram intimidados.


O presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), classificou como "trágica coincidência" a realização do desfile bélico nas proximidades do Congresso. "Não é usual", afirmou Lira sobre o exercício militar, em entrevista ao site O Antagonista. "E, não sendo usual, em um País polarizado do jeito que o Brasil está, isso dá cabimento para que se especule (tratar) de algum tipo de pressão. Entramos em contato com o Palácio do Planalto, falei com o presidente (Bolsonaro) e ele garantiu não haver esse intuito".