Bronze do tênis é a medalha mais imprevisível da história do Brasil

31/07/2021


Vaga na semana da abertura, chave complicada e apendicite



Até três dias antes da cerimônia de abertura das Olimpíadas de Tóquio, Luisa Stefani e Laura Pigossi não tinham a vaga assegurada nos Jogos. Elas estavam em uma espécie de lista de espera e, com uma série de desistências, conseguiram o último lugar na chave de duplas. A viagem para o Japão foi organizada rapidamente, o que não é fácil, principalmente por conta dos protocolos contra a Covid-19. E sem adaptação ao fuso-horário e nem a preparação adequada, afinal elas não costumam jogar duplas juntas.


Luisa é uma das principais duplistas do mundo atualmente, é número 23º do ranking, mas disputa as competições internacionais com uma americana, Harley Carter. Laura não está no grupo das 100 duplistas do mundo, mas foi a escolhida para formar parceria com Luisa em Tóquio.


Se não bastasse tudo isso, a chave também não ajudou. Logo na primeira rodada, um encontro com a dupla canadense cabeça-de-chave, Gabriela Dabrowski e Sharon Fichman, do Canadá. Depois, nas oitavas, passaram por Karol Pliskova, ex-número 1 do ranking mundial individual, e Marketa Vondroušová. Nas quartas, triunfo sobre a forte dupla americana Bethanie Sands e Jessica Pegula.


Contra tudo isso, elas conseguiram fazer um torneio simplesmente espetacular. Jogando muito bem, passaram pelas duplas favoritas até pararem nas suíças na semifinal. Na disputa do bronze, contra Veronika Kudermetova e Elena Vesnina, salvaram quatro match point seguidos para vencer. Há dois meses, Luisa teve apendicite que a tirou de Roland Garros, um dos principais torneios da temporada, e que era válido como a última competição classificatória para as Olimpíadas.