Caravana Étnico Cultural celebra povos indígenas

09/08/2022


Dia Internacional dos Povos Indígenas será lembrado na Caravana Étnico Cultural


Suélio Fàg Fy, artesão caingangue que participa da caravana: "Cada artesanato tem sua história". Foto: Divulgação

Além da programação cultural e do acervo permanente de autores indígenas da Fundação Cultural de Curitiba, o Dia Internacional dos Povos Indígenas, celebrado nesta terça-feira (9/8), será lembrado na Caravana Étnico Cultural, que estreia no sábado (13/8), com ampla programação na CIC.


O projeto, da Assessoria de Políticas para Promoção da Igualdade Étnico-Racial, passará por todas as dez regionais da cidade e foi elaborado com o objetivo de reforçar as ações afirmativas de negros, indígenas e ciganos.


O Dia Internacional foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1995 como forma de dar mais visibilidade à causa dos povos indígenas e lutar pela defesa de condições dignas para eles – principalmente em relação à cultura, audodeterminação e garantia dos Direitos Humanos.


“Nas ações municipais, procuramos cada vez mais destacar a rica cultura que ao longo de muitos anos foi marginalizada e alvo de preconceitos”, diz Marli Teixeira Leite, titular da assessoria de Igualdade.

Produção cultural

Na Caravana, a cultura e tradição indígenas estarão representadas em duas barracas da Feira de Empreendedorismo. O artesão Suélio Fàg Fy é um dos participantes.


Caingangue morador da aldeia Kakané Porã, no bairro Campo de Santana da capital, Suélio produz um vasto leque de artesanato: maracás, cocares, pulseiras, colares, tiaras, carrancas, cestos, entre outros.


Segundo ele, a produção e exposição dos produtos são formas de manter viva a cultura indígena. “Cada artesanato tem sua história”, diz.


O Pau de Chuva, por exemplo, é um utensílio usado em rituais de chamamento da chuva e de boa colheita, explica Suélio, que nasceu em Curitiba e cuja família tem origem nas tribos caingangue de Manguerinha (no Sul do Estado). O arco-e-flecha é a tradicional arma de caça para os povos indígenas.


“Meus filhos vêem o que eu faço e a história consegue se manter”, completa Suélio, pai de dois filhos e estudante de Educação do Campo na Universidade Federal do Paraná (UFPR).


O mesmo raciocínio pode ser aplicado para o público em geral que tem contato com seu artesanato, produzido com sua parceira, Camila dos Santos da Silva.


Toda a matéria-prima empregada na produção mantém as origens: cipó, escamas de peixe, conchas marinhas e penas, que ele obtém em bosques próximos de casa, em idas ao litoral ou de fornecedores indígenas de outros estados.


Dependendo do nível de detalhes e da matéria-prima, a produção da semana pode se resumir a duas ou três peças, que ele vende em encontros e pela internet. “A feira [de sábado] vai ser a primeira bem estruturada de que vou participar”, conta.


Respeito e valorização

A criação do Dia Internacional dos Povos Indígenas foi resultado de uma reação dos povos indígenas de várias partes contra ataques sofridos em seus próprios territórios, após mais de 500 anos de a conquista europeia ter imposto formas de opressão durante as ocupações ocorridas pelo Globo – e que em muitos casos resultou em extermínio de povos inteiros.


Em 2006, a ONU aprovou a Declaração das Nações Unidas sobre Direito dos Povos Indígenas, estabelecendo compromissos a serem seguidos pelos Estados signatários.


O artigo primeiro estabelece que os indígenas têm direito, individual ou coletivo, ao “pleno desfrute de todo os diretos humanos e liberdade fundamentais” reconhecidos pela Carta das Nações Unidas.


Na celebração deste ano, o secretário-geral da ONU, o português António Guterres, destacou a importância do papel das mulheres indígenas na transmissão dos conhecimentos tradicionais. Segundo ele, sem a participação das indígenas será impossível alcançar equidade e sustentabilidade previstas na Agenda 2030 de desenvolvimento sustentável.