Cia Estável de Teatro apresenta espetáculo "Patética"

31/05/2021


Peça retrata o drama de Vladimir Herzog na ditadura militar



O espetáculo Patética reflete sobre as circunstâncias que lavaram ao assassinato do jornalista e dramaturgo Vladimir Herzog (1937-1975). O texto foi escrito em 1976, um ano depois do seu falecimento, por seu cunhado e, também dramaturgo, João Ribeiro Chaves Neto. A Cia Estável de Teatro montou o espetáculo em 2018 e apresenta uma versão digital na segunda edição do Festival São Paulo Sem Censura promovido pela Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, no dia 5 de junho, sábado, às 20h.


Após a sessão, haverá um bate-papo com integrantes da Cia Estável sobre o processo de pesquisa, com a participação de Celso Nunes, que foi o diretor da primeira montagem do espetáculo, em 1980.


Com direção de Nei Gomes, a montagem da Cia Estável usa o metateatro para mostrar uma trupe de artistas circenses que apresenta pela primeira e última vez a história de Glauco Horowitz (Herzog). Ao discutir a censura, a própria peça é proibida e o circo é fechado.


A peça conta a vida de Herzog desde a imigração dos pais para o Brasil, passando pela militância, prisão, depoimentos no DOI-Codi, até a morte e a luta da família para provar que ele não cometeu suicídio, mas foi assassinado.


Na noite do dia 24 de outubro de 1975, o jornalista apresentou-se na sede do DOI-Codi, em São Paulo, para prestar esclarecimentos sobre suas ligações com o PCB (Partido Comunista Brasileiro). No dia seguinte, foi morto aos 38 anos. Segundo a versão oficial, ele teria se enforcado com o cinto do macacão de presidiário. Porém, de acordo com os testemunhos de jornalistas presos na mesma época, Vladimir foi assassinado sob torturas. A morte de Herzog foi um marco na ditadura militar (1964-1985). O triste episódio paralisou as redações de todos os jornais, rádios, televisões e revistas de São Paulo.


Além de se constituir numa denúncia da tortura no Brasil, a peça dialoga com questões estéticas da dramaturgia contemporânea. Teve uma trajetória conturbada durante a ditadura militar: o texto foi premiado, a premiação foi suspensa, foi confiscado, depois vetado, só liberado em 1979, e não pôde usufruir dos prêmios (do valor em dinheiro, da montagem do espetáculo nem da publicação do texto).


A Cia Estável inseriu parte da obra no espetáculo Flávio Império, Uma Celebração da Vida (montagem de 2002, com direção de Renata Zhaneta) por ter sido um espetáculo para o qual Flávio Império fez os cenários e figurinos da montagem dirigida por Celso Nunes. Na época, marcou o retorno do cenógrafo após muitos anos afastado das criações teatrais.