Colômbia investiga se presos pela morte do presidente do Haiti são militares

09/076/2021


Assassinos se esconderam na embaixada de Taiwan



O ministro da Defesa da Colômbia, Diego Molano, afirma que o país investiga informações da Interpol de que os colombianos presos no Haiti, por suspeita de terem participado do assassinato do presidente Jovenel Moise, são reservistas do Exército colombiano.


"Inicialmente, as informações indicam que são cidadãos colombianos, membros da reserva do Exército nacional", afirmou Molano, que ordenou que a Polícia Nacional e o Exército colaborem com as investigações.


Jorge Vargas, diretor-geral da Polícia Nacional colombiana, indicou que 6 suspeitos são ex-militares colombianos — 2 sargentos aposentados e 4 ex-soldados — e 2 deles morreram em confronto, segundo informações preliminares.


"Que a justiça do Haiti proceda com todo o rigor e contundência", afirmou a vice-presidente da Colômbia, Marta Lucía Ramírez. "Porque a Colômbia não pode de forma alguma chegar às manchetes da imprensa internacional pelo nome de criminosos e pistoleiros".


A polícia haitiana divulgou na quinta-feira (8) que ao menos 28 pessoas participaram do crime: 26 colombianos e dois americanos de origem haitiana.


O chefe do diretório nacional de inteligência da Colômbia e o diretor de inteligência da Polícia Nacional viajarão ao Haiti com a Interpol para ajudar nas investigações, anunciou o presidente colombiano, Ivan Duque, nesta sexta-feira (9).


"Oferecemos toda a ajuda possível para descobrir a verdade sobre os perpetradores materiais e intelectuais do assassinato", afirmou Duque após falar ao telefone com o primeiro-ministro interino do Haiti, Claude Joseph.


A secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, afirmou que os Estados Unidos vão enviar policiais federais do FBI e oficiais do DHS (Departamento de Segurança Interna) ao Haiti "o mais rápido possível".


Investigação do crime

Até o momento, 17 suspeitos foram detidos — 15 colombianos e 2 americanos —, 3 morreram em confronto e 8 estão foragidos. Parte do grupo chegou a invadir a embaixada de Taiwan ao tentar fugir (veja mais abaixo).


O diretor-geral da Polícia Nacional haitiana, Leon Charles, exibiu os detidos em uma entrevista coletiva, além de passaportes colombianos, metralhadoras, machetes, walkie-talkies e materiais como alicates e martelos, que foram apreendidos.


"Estrangeiros vieram ao nosso país para matar o presidente", afirmou Charles, que prometeu intensificar a busca "para capturar os outros oito mercenários".


Jovenel Moise foi assassinados a tiros em sua casa na madrugada de quarta-feira (7). A primeira-dama, Martine Moise, foi baleada e hospitalizada.


Gravemente ferida, ela foi transferida para Miami, nos Estados Unidos. Os três filhos do casal, Jomarlie, Jovenel Jr. e Joverlein, estão em um "local seguro", segundo as autoridades.


Moise levou 12 tiros e foi encontrado deitado de costas, coberto de sangue. O escritório e o quarto do presidente foram saqueados. Ainda não se sabe quem foi o mandante nem o motivação do crime.