Deputado diz que Bolsonaro citou Ricardo Barros ao ouvir denúncia

25/06/2021


Luis Miranda foi ouvido nesta sexta pela CPI da Covid



Em depoimento à CPI da Covid nesta sexta-feira (25), o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) afirmou que o presidente Jair Bolsonaro citou nominalmente o líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), ao ouvir denúncias de irregularidades na compra da vacina Covaxin.


A conversa entre Bolsonaro e Miranda aconteceu no dia 20 de março deste ano no Palácio da Alvorada, de acordo com o parlamentar. Ao narrar o encontro à CPI, inicialmente, o deputado omitiu o nome de Ricardo Barros.


“O presidente entendeu a gravidade. Olhando os meus olhos, ele falou: ‘Isso é grave’. Não me recordo do nome do parlamentar, mas ele até citou um nome para mim, dizendo: 'Isso é coisa de fulano'. E falou: ‘Vou acionar o Diretor-Geral da Polícia Federal, porque, de fato, Luis, isso é muito grave", disse o deputado nesta sexta.


“O que que eu senti? Que o presidente, apesar de toda a força que ele demonstra, de tudo que a gente conhece, que ele, nesse grupo específico, não tinha força para combater. Ele deu a entender isso. Porque ele fala um nome, mas não tem certeza também. Ele diz: 'isso é coisa do fulano. [Falando um palavrão], mais uma vez'. Dá um tapa na mesa”, contou o deputado federal.


Durante horas, senadores pressionaram o parlamentar a dizer o nome citado por Bolsonaro – Luis Miranda afirmou, diversas vezes, não se recordar quem era.


Pouco antes das 22h, em novo questionamento da senadora Simone Tebet (MDB-MS), finalmente Luis Miranda confirmou que o nome citado era de Barros.


"Eu sei o que vai acontecer comigo. A senhora [Simone Tebet] também sabe que é o Ricardo Barros que o presidente falou", afirmou Luis Miranda. Simone Tebet insistiu: "O senhor confirma?" "Foi o Ricardo Barros, que o presidente falou. Foi o Ricardo Barros", repetiu Miranda.


Em uma rede social, no fim da noite, Ricardo Barros disse que não participou de negociações sobre a compra da Covaxin e que não tem relação com "esses fatos".


"Não participei de nenhuma negociação em relação à compra das vacinas Covaxin. 'Não sou esse parlamentar citado', A investigação provará isso. Também não é verdade que eu tenha indicado a servidora Regina Célia como informou o senador Randolfe. Não tenho relação com esse fatos", postou Barros.


A servidora Regina Célia Silveira Oliveira foi citada por Luis Ricardo Miranda – irmão do deputado Luis Miranda – como a pessoa que deu aval ao avanço da papelada da Covaxin enquanto a área de importação apontava problemas.


Segundo o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Regina Célia assumiu o cargo quando Ricardo Barros era ministro da Saúde. O senador defendeu que a servidora seja convocada pela comissão.


Os irmãos Miranda foram convidados a depor à CPI após terem denunciado irregularidades no contrato da vacina indiana Covaxin e “pressão atípica” para a liberação do imunizante.


Luis Ricardo é chefe de importação do Departamento de Logística em Saúde do Ministério da Saúde. Ele já relatou o episódio ao Ministério Público Federal, que vê indícios de crime no processo.