Deputados da Região Sul debatem programa "Lixo Zero"

28/05/2021


Audiência serve de preparação para evento internacional



Trabalhar por políticas públicas de Estado na gestão dos resíduos sólidos e promover ações nos municípios para acabar com os aterros sanitários e incineradores. O tema foi debatido no “Fórum Regional Municípios Lixo Zero - Região Sul”, audiência pública promovida pela Comissão de Ecologia, Meio Ambiente e Proteção aos Animais, da Assembleia Legislativa do Paraná, na tarde desta quinta-feira (27), em parceria com as Assembleia de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.


O evento remoto reuniu representantes de municípios do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul em uma troca de experiências de gestões estaduais e municipais em políticas de logística reversa, coleta seletiva e destinação correta dos resíduos gerados por suas populações.


“Precisamos discutir as políticas de resíduos sólidos da região Sul, discutir as boas práticas e políticas públicas dos municípios que são o ideal de cidades lixo zero, com respeito às pessoas e ao meio ambiente”, afirmou o presidente da Comissão de Ecologia, deputado Goura (PDT), anfitrião do encontro que foi transmitido pela TV Assembleia com retransmissão das Assembleias Legislativas catarinense e gaúcha.


Goura destacou a aprovação pelo Plenário da Assembleia Legislativa, em segunda discussão nesta quarta-feira (26), do projeto de lei 55/2021, do Poder Executivo, que estabelece normas para a elaboração, revisão, complementação, operacionalização e fiscalização do plano Estadual de Resíduos Sólidos do Paraná (PERS-PR). “Podemos ampliar essas políticas regionais para outras esferas para discutir políticas de conservação”, disse.


A audiência pública foi uma preparação para o Congresso Internacional Cidades Lixo Zero (Zero Waste Cities) que acontece em junho em Brasília (DF). Sobre a apresentação das boas práticas do país e exemplos internacionais, o presidente Instituto Lixo Zero no Brasil, Rodrigo Sabbatini, disse que “existe um conceito de que se reutilize todos os recursos sem desperdício, o que desperdiçamos é instrumentos de geração de renda. O material reciclado gera empregos”, explicou.


Ele citou exemplos da americana de San Francisco, no estado da Califórnia, “uma cidade com mais de um milhão de habitantes, que desvia 87% de seu lixo de aterros e incineradores. O índice mínimo da Califórnia é de 65% sem aterro e sem incineração. A gente pode chegar a 90% sem precisar queimar ou aterrar. Como fazemos isso?”, perguntou.


“Precisamos de um novo acordo, de que este material gere emprego, renda e desenvolvimento. O Lixo Zero é uma mudança de paradigma, estudar o início da linha, não deixar a doença tomar conta. Temos uma cultura do descarte há 30 anos, precisamos da cultura do cuidar, evitar as doenças”, afirmou Sabbatini.


Para a deputada estadual Juliana Brizola, do Rio Grande do Sul, o país precisa diminuir a diferença no índice alcançado por países desenvolvidos nas políticas e resultados do Lixo Zero. “O Brasil é um dos maiores importadores de fertilizantes sintéticos do mundo e o descarte de embalagens é deficitário. O plástico e micro plástico contaminam a água e o solo”, citou.


“A Política Nacional de Resíduos Sólidos de 2010 é instrumento de gestão e educação resiliente, as cidades precisam buscar equilíbrio entre o uso dos recursos ambientais e o consumo das cidades. O Fórum Lixo Zero é a oportunidade de reflexão dos governantes e do povo. Precisamos unir e organizar a sociedade civil e o setor privado para defender as populações mais vulneráveis”, afirmou a deputada.