Deputados estaduais do Paraná criticam discurso de Bolsonaro

03/09/2021


Parlamentares fizeram defesa da democracia durante sessão plenária



Deputados estaduais de diferentes correntes políticas fizeram uma defesa enfática da democracia ao usarem a Tribuna da Assembleia Legislativa do Paraná. Foi durante a sessão plenária de quarta-feira (1). O 1º secretário da Casa de Leis, deputado Luiz Claudio Romanelli (PSB), fez um alerta, citando um artigo publicado no jornal Folha de São Paulo na edição de domingo (29), do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, intitulado “Intervenção armada: crime inafiançável e imprescritível”.


“O texto é didático e o ministro faz uma sagaz analogia com o imperador romano Júlio Cesar e a icônica passagem dele pelo rio Rubicão, transpondo os limites de suas tropas em batalha para tomar o poder. Um alerta claro dado pelo magistrado para civis e militares sobre as consequências de um ato infame”, afirmou.


“A nossa democracia foi duramente reconquistada há apenas 35 anos. E com ela, nossos direitos por meio de uma enorme mobilização popular, da qual tive a honra de participar ativamente, ganhando as ruas, mobilizando instituições, derrotamos o autoritarismo. Eu vejo com tristeza e com preocupação os últimos acontecimentos. Os ataques contra o sistema eleitoral, contra os direitos universais e contra as liberdades fundamentais”, enfatizou.


Romanelli rechaçou o que chamou de afrontas ao Estado de Direito, de cidadãos que pretendem, segundo ele, transformar o Brasil em uma “República de Terceira Classe” e que retomar o voto impresso, por exemplo, seria um retrocesso, uma volta ao coronelismo, presente na República Velha. O mesmo que, segundo o deputado, relegar o controle político da sociedade nas mãos de uns poucos privilegiados. “Projetos de poder não podem e não vão prevalecer com ameaças. A resposta para quem quer dar meia volta à trajetória democrática do nosso país deve ser na mesma intensidade, conforme prevê a Constituição. Mas o que mais me assusta nisso tudo é que estamos debatendo arroubos golpistas, enquanto a população brasileira sofre com a volta da inflação, com a fome, a miséria, com o desemprego e com as consequências e a tragédia provocadas pela pandemia”, ressaltou.


Ao finalizar, Romanelli reforçou: “O Brasil precisa de paz neste Sete de Setembro. Paz para unir as diferentes correntes políticas; paz para voltar a se desenvolver, para retomar os empregos; paz para o homem do campo e o da cidade, para as famílias brasileiras e paz para construir um projeto de país. Isso é democracia”, concluiu.


O líder do Governo, deputado Hussein Bakri (PSD) também usou parte do tempo na Tribuna para reafirmar a importância da democracia. Disse que, em toda a sua trajetória política nunca imaginou que fosse assistir a um quadro político como o atual. “Eu confesso que estou com medo, preocupado com as consequências de uma ruptura institucional neste país, que eu não vivi, mas que sei pelo que nos contam os que viveram naqueles tempos sombrios e de muitas dificuldades. Observamos um radicalismo exacerbado nesses tempos estranhos. Espero que possamos passar por esse momento difícil conseguindo manter a nossa democracia. Com ela, pode ser difícil, mas sem ela, sem dúvida, será muito pior”, alertou.


O deputado Subtenente Everton (PSL) foi à Tribuna fardado, justificando que “queria dar uma resposta à sociedade que o elegeu para o mandato”, pregando o respeito às autoridades, a liberdade e defendendo o papel das Forças Armadas. “Os verdadeiros inimigos da Pátria não usam farda, nem fuzil. A Pátria é maior que qualquer ideologia, político ou instituição. Chega da ideologia de todos contra todos”, afirmou.


O líder do Partido dos Trabalhadores (PT), deputado Tadeu Veneri destacou que, com base na fala do colega de Parlamento, “já se prevê o que vem pela frente nos atos do Sete de Setembro”. Criticou o Governo Federal, que, segundo o deputado, vive de conflitos desde que assumiu. “Governa no conflito permanente. Sua base não aceita outro argumento que não seja o confronto, a radicalização. Mas eu asseguro: não haverá ruptura. As Assembleias não serão fechadas. As Câmaras são serão fechadas, para a tristeza daqueles que esperam por isso. Haverá sim um triste fim para esse governo”, concluiu.