Deputados questionam obras inacabadas pelas concessionárias de pedágio

15/04/2021


Há dúvidas sobre o futuro dessas obras após o término do atual contrato




Deputados estaduais que participaram da audiência pública para debater o novo modelo de pedágio no estado cobraram a conclusão de obras inacabadas, que são de responsabilidade das concessionárias que administram as rodovias da região dos Campos Gerais. As cobranças foram feitas durante a 12ª audiência pública promovida pela Frente Parlamentar Sobre o Pedágio, da Assembleia Legislativa do Paraná, realizada remotamente nesta quinta-feira (15). Além dos parlamentares, o encontro reuniu lideranças políticas, empresariais e comunitárias da região de Ponta Grossa.


A audiência começou com um vídeo em homenagem ao ex-deputado estadual Delegado Racalcatti (PSD) e ao ex-deputado federal pelo Paraná, José Carlos Schiavinato (PP), que faleceram recentemente. Recalcatti morreu no dia 9 de abril após sofrer um infarto fulminante. Já Schiavinato lutou por dias contra as complicações da Covid-19 e acabou falecendo na última terça-feira (13). Os dois parlamentares participaram de maneira efetiva das audiências públicas promovidas pela Frente Parlamentar Sobre o Pedágio se posicionando sempre contrários ao novo modelo de concessão proposto pelo Governo Federal.


“Ambos os nossos amigos deputados participaram efetivamente da nossa caminhada contra o modelo de pedágio proposto pelo Governo Federal, se posicionando contra esse novo contrato. Tanto presencialmente, quanto remotamente, Recalcatti e Schiavinato estiveram juntos conosco nessas reuniões. Posso garantir a eles que essa luta não será em vão”, afirmou o deputado Arilson Chiorato (PT).


A primeira deputada a se manifestar na audiência foi Mabel Canto (PSC), que representa no Poder Legislativo a região de Ponta Grossa. Ela questionou sobre o futuro das obras na região dos Campos Gerais, previstas em contrato e que ainda não foram concluídas. “A nossa região é uma das mais produtivas e fomos afetados, principalmente com as obras inacabadas. Temos algumas obras acontecendo, mas é pouco. Não é privilégio receber essas obras. São obras previstas em contrato e que deviam ter sido feitas há muito tempo. Por isso bato na tecla das concessionárias que já estiveram em casos de corrupção e estão querendo voltar a participar dessa nova licitação. Isso é um absurdo” afirmou Mabel.


“Não podemos cometer os erros do passado. Após 24 anos, hoje podemos discutir com mais conhecimento sobre esses contratos e sabemos o que não podemos fazer. Defendo a menor tarifa, obras no começo do contrato e dinheiro para garantia dessas obras. Espero que possamos discutir essas bandeiras e convencer o Governo do Estado e o Governo Federal a atender esses pedidos, que são pedidos de toda a sociedade paranaense. Precisamos de regras claras e transparência”, alertou o deputado Plauto Miró (DEM), também representante da região dos Campos Gerais.


O deputado Subtenente Everton foi outro parlamentar que levantou a discussão sobre as obras inacabadas nas rodovias que cortam a região dos Campos Gerais. “Quem vai terminas as obras em andamento? Sempre faço esse questionamento. Porque quem vencer a licitação não vai terminar obras inacabadas e se terminar o valor de desconto vai acabar. Sugiro ao Governo assumir os pedágios, instalar um pedagiomêtro e com o dinheiro arrecadado vamos terminar as obras. Daí sim fazer um leilão com preço justo”, sugeriu.


“Ponta Grossa é o maior entroncamento ferroviário e rodoviário. Todo o Paraná se encontra em Ponta Grossa. Por isso é importante que as obras ocorram de maneira urgente. Além das outras obras inacabadas. Não podemos pagar mais uma vez por essas obras e é por isso que não podemos aceitar esse novo modelo de concessão”, apontou o deputado Tercílio Turini (CDN).