Documentário "Rolê - Histórias dos Rolezinhos" estreia 10 no Brasil

04/10/2021


O filme acaba de receber o Grande Prêmio Visão, no 25th Flickers' Rhode Island International Film Festival



O documentário "Rolê - Histórias dos Rolezinhos", realizado pela produtora Couro de Rato e com direção de Vladimir Seixas, estreia no Brasil no dia 10 de outubro, pelo Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba e traz uma importante discussão sobre racismo, discriminação, ocupação do espaço e resistência do povo negro e periférico.


O filme integra a Mostra Competitiva do Festival e será exibido online, nos dias 10 e 14 de outubro, domingo e quinta-feira, respectivamente; os ingressos custam R$ 5 e já estão disponíveis para a compra no site do evento, clicando aqui. O filme fica disponível de 6h do dia 10/10 até 5h59 do dia 11/10, e de 6h do dia 14/10, até às 5h59 do dia 15/10.

Entre 2018 e 2020, Vladimir Seixas acompanhou três importantes personagens do movimento dos rolezinhos e seus desdobramentos: Jefferson Luís, o organizador de um dos primeiros e maiores rolezinhos, eleito uma das 100 pessoas mais influentes do Brasil pela Revista Época, em 2014; a artista e performer mineira Priscila Rezende, que idealizou a performance "Bombril", de 2010, e orientou a realização de uma releitura desta ação de forma coletiva em um shopping; e Thayná Trindade, empreendedora negra e fundadora da Uzuri Acessórios, que organizou uma manifestação dentro do shopping Plaza em Niterói/RJ após sofrer racismo por parte de um vendedor de loja, em um caso que viralizou nas redes sociais, em 2014.


“Rolê” acaba de receber o Grande Prêmio Visão (Vision Award - Grand Prize), na 25ª edição do Flickers' Rhode Island International Film Festival (RIIFF 2021), dedicado a filmes capazes de quebrar barreiras culturais internacionais e tocar as pessoas ao redor do mundo. A produção levou para fora do país uma importante discussão sobre racismo, discriminação, ocupação do espaço e resistência do povo negro e periférico.


"Queremos que a estreia brasileira no Olhar de Cinema impulsione ainda mais o debate que o filme propõe a partir dos Rolezinhos. Estamos ansiosos para mostrar o filme aqui e ver como ele será recebido; o debate após a exibição no festival dos EUA foi extremamente positivo”, conta Vladimir.

“Para o curador do RIIFF, o filme permite um mergulho nas periferias filmadas com as personagens, como se fosse possível viver um pouco com elas. Ficamos felizes, pois era de fato o que queríamos imprimir na tela desde o início do roteiro, justamente pela aliança entre experiências de vida e as reações com os Rolezinhos!", comemora.


Com imagens de arquivos e da imprensa, fica nítida a conexão entre todas as narrativas apresentadas e o racismo praticado de forma cada vez mais explícita, culminando no resultado das eleições em 2018 e se destacando em casos como o assassinato de João Alberto Silveira Freitas, em uma rede de supermercados no Brasil e de George Floyd, nos Estados Unidos. Neste cenário, Vladimir documentou a perseguição, a criminalização e a violência a partir dos três personagens, que participaram de rolezinhos e trouxeram suas memórias, marcas e traumas para a tela, em um documentário que encontra nos rolezinhos um capítulo revelador da história da luta do povo preto no Brasil dos últimos anos.


A produção conta também com cenas do curta-metragem Hiato (2008), também do diretor, que aborda o famoso episódio de agosto de 2000, em que cerca de 130 manifestantes ocuparam o shopping RioSul, na zona sul do Rio de Janeiro. Na ocasião não houve violência física, mas houve evidente discriminação e racismo, e o movimento atualmente é considerado o precursor dos chamados rolezinhos, que ganhariam força a partir de 2013, com Jefferson Luís, e estão retratados no filme.


Com produção executiva de Luis Carlos de Alencar, trilha sonora original de Mano Teko e Grand Master Matarazo, com participação também da banda Axial e Djonga, o documentário apresenta episódios muitas vezes justificados como "fatos isolados" e explica como todos estão conectados e motivados pelo racismo e pela privação de acesso aos espaços a essas pessoas.


O longa conseguiu ser realizado ao ser contemplado pelo PRODAV do FSA - Fundo Setorial Audiovisual em parceria com o canal CINEBRASILTV (atualmente o fundo está paralisado pela gestão do atual governo).