Dossiê fios de sustentação em face: especialista tira 7 dúvidas sobre a técnica

24/03/2022


A dermatologista Larissa Oliveira, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), para esclarecer as principais dúvidas sobre o uso dos fios de sustentação



1 - O que são fios de sustentação?


Os fios de sustentação existem desde a década de 50, mas a versão específica para a sustentação facial começou a ser usada por volta dos anos 2000. Os primeiros fios usados com finalidade estética não eram absorvidos pelo corpo e foram registrados alguns problemas, como assimetria, infecções, reações imunológicas com a formação de nódulos e granulomas. São suturas feitas de material biocompatível, utilizados para o tratamento de flacidez, marcas de expressão e sulcos no rosto e pescoço e para promover efeito lifting (elevação da pele, a famosa “esticadinha na pele”), sem cortes cirúrgicos.


2 - Como os fios agem no organismo?

Atualmente utilizamos fios com materiais 100% absorvíveis com o tempo em períodos que variam de 12-24 meses a depender do material utilizado e da quantidade de fios. Os fios com a finalidade de tração, lifting facial possuem garras ou cones que se prendem aos tecidos, elevando as camadas em direção a parte superior do rosto, em vetores de sustentação que simulam o movimento que fazemos na frente do espelho, puxando o rosto para cima. Além de suspender a pele, os fios também combatem o envelhecimento de outra maneira: estimulam a produção de colágeno no local, firmando a pele e conseguindo um rejuvenescimento facial contínuo e progressivo, que pode ser visto na face e no corpo das áreas tratadas.


3 - É indicado para todas as faixas etárias?

“A estruturas da face também respeitam a gravidade e, a partir dos 30 anos, de forma lenta e contínua, tudo começa a cair. Se você está pensando em dar uma repaginada no rosto, colocar as estruturas no lugar e tem medo de internação, cortes e cicatrizes com a cirurgia plástica, os fios de sustentação estão indicados para você”, ressalta a Dra. Larissa Oliveira. Com o passar do tempo, em especial após os 30-35 anos, a especialista ressalta que a pele perde colágeno e elastina (fibras responsáveis pela sustentação dos tecidos), resultando numa pele mais fina e flácida. “Simultaneamente, a flacidez da pele ocorre também reabsorção de estruturas mais profundas que a suportam. Ocorre diminuição do volume e redistribuição da gordura subcutânea (que com o envelhecimento se mobiliza gradualmente para as regiões inferiores da face), atrofia de músculos e também da estrutura óssea, que passa a oferecer menos suporte à pele, que então se desliza e assume o aspecto de pele caída, derretida”, explica.


4 - Como é feito o procedimento e em quanto tempo podem ser vistos os resultados?

O procedimento é feito em ambiente de consultório, sem necessidade de internação hospitalar, sob anestesia local e em, no máximo, 2 horas o paciente já retorna às suas atividades de trabalho regularmente. Os fios, promovem lifting instantâneo, porém o resultado progride com melhora ao longo dos próximos 3 a 6 meses devido ao efeito adicional de estímulo de colágeno tipo 1 (responsável pela firmeza da pele).


5 - Quais os principais tipos de fios?

Lifting facial com fios silhouette Os fios silhouette são feitos à base de ácido polilático ou PLA, substâncias absorvíveis pelo organismo humano. Logo após a sessão, o efeito de suspensão da pele acontece de forma imediata e dura em média dezoito meses até a absorção total. O material também estimula a produção de colágeno, o que intensifica o efeito lifting nos meses seguintes. Lifting facial com fios PDO Já os fios de PDO são feitos de polidioxanona e sua função principal é o estímulo de colágeno. O lifting facial também ocorre nesse caso, porém o efeito não é imediato como acontece com os fios silhouette.A suspensão da pele facial aparece à medida que o novo colágeno é produzido pelo organismo, em que acontece a contração das fibras da pele.


6 – Em quais casos o procedimento é indicado?

Entre as recomendações do lifting facial com fios estão: • Flacidez facial ou do pescoço • Perda do volume malar • Contorno da mandíbula • Ptose (queda) do supercílio e/ou linha mandibular • Sulcos faciais (bigode chinês e marionete) • Papada Apesar de ser um tratamento rápido e eficiente na maior parte dos casos, o lifting facial também possui contraindicações como pacientes com pele muito fina ou com excesso ou falta de tecido adiposo (gordura), infecções de pele no local da aplicação ou portadores de coagulopatias (distúrbios da coagulação sanguínea).


7 - Quais os cuidados pós-procedimento?

Por ser um procedimento não invasivo, após o lifting facial o paciente pode retomar suas atividades diárias. Assim como outros tratamentos estéticos, alguns sintomas como inchaço e vermelhidão podem aparecer, porém são momentâneos e somem dentro de alguns dias. Uma recomendação fundamental é evitar pressão direta sobre o local tratado, mesmo durante o sono, e movimentos faciais intensos. Também é indicado que o paciente espere ao menos quinze dias antes de realizar outros tratamentos de pele como massagens faciais e limpeza de pele, assim como cirurgias dentárias.


Sobre a Dra. Larissa Oliveira: - A Dra. Larissa Oliveira atende na Clínica Les Peaux (RJ); - É Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e sócia titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD); - Graduada em Medicina na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, com Especialização em Dermatologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro; - Possui capacitação em Tricologia Médica (doenças dos fios e couro cabeludo) no Instituto de Dermatologia Professor Rubem David Azulay – Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro. Membro da American Academy of Dermatology (AAD) e da International Society of Trichoscopy; - Preceptora dos Ambulatórios de Dermatologia da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro; - Autora de artigos científicos publicados em revistas médicas nacionais e internacionais.