Envelhecer é uma doença que pode ser curada, diz cientista de Harvard

02/10/2021


Geneticista David Sinclair investiga há mais de duas décadas as causas do envelhecimento



Envelhecer é algo natural e inevitável, o destino de todos nós. É assim que a grande maioria de nós encara o curso da vida — mas não o geneticista David Sinclair. Com base em seus estudos ao longo de mais de duas décadas, ele defende ser possível retardar o envelhecimento com alguns hábitos simples para que tenhamos vidas cada vez mais longas e saudáveis.


Sinclair acredita que em breve será possível fazer isso também com medicamentos, que ainda estão sendo testados para esse fim, e diz que provavelmente vamos conseguir até mesmo reverter o envelhecimento.


O cientista, que é doutor pela Universidade de New South Wales, na Austrália, e fez um pós-doutorado no Massachussets Institute of Technology, nos Estados Unidos, está à frente de um laboratório na Universidade Harvard onde pesquisa por que envelhecemos.


Seu trabalho já lhe rendeu de duas dezenas de prêmios de associações e entidades científicas. Também o transformaram em uma celebridade: ele já foi eleito pela revista Time uma da cem pessoas mais influentes do mundo e tem quase 200 mil seguidores no Twitter.


O pesquisador também é dono de 35 patentes e fundou ou está envolvido com uma série de empresas de biotecnologia, algumas delas dedicadas a frear ou evitar o envelhecimento.


O banco Meryl Lynch avaliou em 2019 que essa indústria já movimenta US$ 110 bilhões e que esse valor vai atingir US$ 600 bilhões em 2025.


Sinclair ainda é autor de Tempo de Vida (Alta Books), que virou um best-seller do The New York Times e foi lançado no Brasil neste ano. No livro, ele argumenta, ao contrário do que pensamos hoje, envelher não é inevitável.


O cientista defende ainda que precisamos mudar radicalmente a forma como encaramos o envelhecimento: em vez de ser um processo comum e natural, é igual a uma doença e, como tal, pode ser tratado ou mesmo curado.


Sinclair diz que só com uma mudança radical da nossa perspectiva sobre a velhice é que a humanidade vai conseguir aumentar significativamente nossa expectativa de vida.


Caso contrário, diz ele, os avanços da Medicina vão nos dar apenas mais um par de anos: "Precisamos fazer melhor."