EUA querem cancelamento de viagem de Bolsonaro à Rússia

01/02/2022


Casa Branca teme que encontro transmita mensagem de que o Brasil apoia russos



Em meio às tensões envolvendo temores de uma invasão da Ucrânia pela Rússia, o governo dos Estados Unidos tem intercedido junto ao brasileiro para que seja cancelada a viagem do presidente Jair Bolsonaro a Moscou programada para meados deste mês, segundo noticiaram veículos da imprensa brasileira.


De acordo com o jornal O Globo, representantes da Casa Branca argumentaram que o momento não é adequado para o encontro entre Bolsonaro e o presidente russo, Vladimir Putin, pois poderia ser interpretado como a tomada de um lado na crise Rússia-Ucrânia pelo Brasil.


Ao jornal, uma fonte do governo brasileiro afirmou que essa não será a mensagem da visita. "Desejamos o entendimento diplomático entre Rússia e Ucrânia, dois países com os quais temos ótimas relações", disse.


De acordo apuração da Folha de S.Paulo e do Poder360, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, manifestou preocupações quanto a essa possível mensagem simbólica da visita de Bolsonaro em conversa telefônica com o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Carlos França, no último domingo, que informou a Blinken que a viagem de Bolsonaro está mantida e que o Brasil segue a favor de solução diplomática duradoura para as tensões.


Em 10 de janeiro - dias depois de o Brasil assumir uma vaga rotativa no Conselho de Segurança da ONU, com mandato de dois anos -, Blinken havia pedido ao governo Bolsonaro uma reposta "forte e unida" contra as "novas agressões da Rússia" à Ucrânia.


No telefonema deste domingo, além de manifestar apreensão em relação à ida de Bolsonaro a Moscou, Blinken teria pedido que o Brasil votasse nesta segunda a favor da realização de uma reunião no Conselho de Segurança da ONU sobre a situação da Ucrânia - o que o Brasil acabou fazendo.


Na reunião, Ronaldo Costa Filho, embaixador do Brasil na ONU, tentou manter uma posição neutra e apelou ao diálogo entre as partes envolvidas nas atuais tensões em torno da Ucrânia.


"A proibição do uso da força e a resolução pacífica de disputas e o princípio de soberania e integridade territorial e a proteção de direitos humanos são pilares do nosso sistema coletivo de segurança", afirmou.


À Folha, a embaixada americana em Brasília afirmou que "EUA, Brasil e outras nações democráticas têm a responsabilidade de defender os princípios democráticos e proteger a ordem baseada em regras, além de reforçar essa mensagem à Rússia em toda oportunidade".


A viagem de Bolsonaro

Bolsonaro confirmou na última quinta-feira sua viagem a Moscou. Segundo o Palácio do Planalto, a data ainda não está definida, mas a previsão é que o presidente embarque para a Rússia por volta do dia 12 de fevereiro.