França autoriza que médicos com Covid-19 atendam pacientes

05/01/2022


Medida tenta conter a falta de mão de obra



A França está permitindo que profissionais de saúde infectados com o coronavírus, mas com poucos ou nenhum sintoma, continuem tratando os pacientes em vez de se isolarem, uma medida paliativa extraordinária destinada a diminuir a falta de pessoal em hospitais e outras instalações causada por uma explosão sem precedentes de casos.


A isenção especial às regras de quarentena da França que está sendo implementada em hospitais, lares de idosos, consultórios médicos e outros serviços essenciais de saúde, atesta a crescente pressão sobre o sistema médico francês pela rápida disseminação da variante ômicron.


É um risco calculado, com a possibilidade de que os profissionais de saúde com Covid-19 infectem colegas e pacientes, mas que é tomado pelo governo que diz ser necessário de manter os serviços essenciais em funcionamento.


Fora do setor de saúde, para aqueles não abrangidos por esta isenção especial, as regras de quarentena da França exigem pelo menos cinco dias de auto-isolamento para os vacinados que apresentem resultados positivos para a Covid-19. Para os não vacinados, o auto-isolamento é de pelo menos sete dias.


Governos e indústrias alertaram que as regras de isolamento estão criando escassez de pessoal em vários setores, já que a variante ômicron causa surtos de infecções em muitos países.


Em alguns lugares, as quarentenas foram reduzidas, incluindo na França, para fazer os trabalhadores voltarem aos seus postos.


Mas na Europa, a França parece estar sozinha agora que também está abrindo a possibilidade para profissionais de saúde trabalharem enquanto estiverem infectados.


Há sinais crescentes de que a ômicron causa a doença menos grave. Mas o alto número de infecções ainda está enviando um número cada vez maior de pessoas aos hospitais, colocando essas instituições sob pressão, especialmente quando os médicos também estão ausentes.


As autoridades hospitalares francesas disseram que a nova flexibilização do auto-isolamento os ajudaria a tapar as lacunas de pessoal se e quando elas se abrissem.


“Se o sistema ficar muito tenso e 50% de nossa equipe for positivada, os menos sintomáticos virão para o trabalho porque os pacientes ainda precisarão ser cuidados”, disse o médico Marc Leone, chefe de anestesiologia do Hospital Norte em Marselha. “Mas ainda não estamos nessa situação.”


As novas regras foram detalhadas em uma mensagem de alerta do Ministério da Saúde que foi enviada no domingo (2) para hospitais, centros de saúde e autoridades de saúde e foi vista pela "Associated Press". As mudanças estão sendo aplicadas esta semana.