Guedes diz que Estado 'quebrou' e será 'impossível' atender à saúde

27/04/2021


Ministro deu declaração em reunião do Conselho de Saúde Complementar



O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta terça-feira (27) que o estado "quebrou" e que, diante da escassez de recursos, o setor público não terá capacidade de atender à demanda crescente por atendimento na área da saúde. Guedes deu a declaração durante reunião do Conselho de Saúde Complementar.


"O Estado quebrou", disse o ministro. "Todo mundo vai procurar serviço público, e não há capacidade instalada no setor público para isso. Vai ser impossível", declarou.


De acordo com o ministro, não foi a pandemia que tirou a capacidade de atendimento do setor público mas sim "o avanço na medicina" e "o direito à vida."


"Todo mundo quer viver 100 anos, 120, 130 [anos]", declarou Guedes. Segundo ele, "não há capacidade de investimento para que o estado consiga acompanhar" a busca por atendimento médico crescente.


Antes mesmo da pandemia, estudo da Secretaria do Tesouro Nacional já apontava a necessidade de gastos adicionais em saúde entre 2020 e 2027 devido ao envelhecimento populacional.


"Há uma forte pressão para elevação das despesas [em saúde] em decorrência do processo de envelhecimento da população, dado que a população de maior idade demanda proporcionalmente mais serviços de saúde", avaliou a instituição, no começo do ano passado.


A regra do teto de gastos, porém, impediu um aumento das despesas na área de saúde em 2019, antes da eclosão da pandemia do coronavírus. Naquele ano, R$ 9,05 bilhões deixaram de ser empenhados para essas despesas, de acordo com o Tesouro Nacional.


Em 2020, com o início da crise de saúde pública, foram gastos R$ 42,7 bilhões a mais no setor. Neste ano, o governo vem liberando gastos pouco a pouco por meio de créditos extraordinários. O teto de gastos vale por 20 anos, com possibilidade de revisão a partir de 2026.


No ano passado, o governo publicou um decreto que permitia ao Ministério da Economia realizar estudos para a inclusão das Unidades Básicas de Saúde (UBS) dentro do Programa de Parcerias de Investimentos da Presidência da República (PPI), o que foi interpretado como uma privatização do Sistema Único de Saúde (SUS).


Após reações à proposta, Bolsonaro optou por revogar o decreto.