Guerra do tráfico já deixou 160 mortos este ano na fronteira com o Paraguai

12/10/2021


No sábado, pessoas foram executadas em um atentado em Pedro Juan Caballero



A disputa pelas rotas do tráfico de drogas que abastecem Estados brasileiros e outros países já causou a morte de ao menos 160 pessoas este ano, na fronteira do Brasil com o Paraguai. No lado brasileiro, foram 74 mortes até setembro, segundo dados da Polícia Civil.


Uma em cada quatro mortes no Estado acontece nos dez municípios da região. Em seis municípios do lado paraguaio, houve ao menos 86 mortos. Segundo as autoridades, a região está em guerra desde 2016, quando a facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) passou a controlar o tráfico na fronteira.


No sábado (9), quatro pessoas foram executadas em um atentado em Pedro Juan Caballero, cidade separada de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, por apenas uma rua. Outras três pessoas foram baleadas, mas sobreviveram. A chacina vitimou duas estudantes brasileiras de Medicina, Karine Reinoso de Oliveira, de 21, e Rhannye Jamilly Borges de Oliveira, de 19.


Morreu ainda a paraguaia Haylle Carolina Acevedo Yunis, de 21, sobrinha do governador do departamento de Amambay, Ronald Acevedo. Haylle é também sobrinha do político José Carlos Acevedo que, neste domingo, foi eleito prefeito de Pedro Juan Caballero pela quarta vez consecutiva.


Conforme a polícia paraguaia, o alvo era Osmar Vicente Alvarez Grance, de 29 anos, supostamente ligado ao narcotráfico. Ele recebeu grande parte dos tiros, a maioria na cabeça. A sobrinha do governador era sua namorada. Ela e as colegas brasileiras cursavam Medicina na Universidade Central do Paraguai, em Pedro Juan. Ainda segundo a polícia, foram disparados 107 tiros de pistolas e de fuzis Ak-47 e AR-15.


Imagens de uma câmera mostram quando três homens descem de uma caminhonete e descarregam as armas contra o grupo. Eles haviam saído de uma festa e entravam em uma caminhonete Blazer branca. Esse veículo tinha placa brasileira e havia sido roubado em Navegantes, no litoral catarinense. Osmar foi atingido antes de assumir o volante do carro. Depois que estava caído, um dos atiradores se aproximou e descarregou a arma contra sua cabeça.


O ataque aconteceu no bairro General Diaz, a cinco quadras da linha de fronteira. No domingo (10), uma caminhonete semelhante à usada pelos atiradores foi encontrada em chamas, numa estrada vicinal, a dez quilômetros de Pedro Juan. A Toyota Hillux tinha placas de Bauru (SP) e era roubada.


Na manhã desta segunda-feira, seis brasileiros foram presos pela polícia paraguaia na cidade de Cerro Corá, no mesmo departamento, suspeitos de participação na chacina. Eles não tinham armas, mas os celulares foram apreendidos. Os nomes não foram divulgados.


Em Ponta Porã, também no sábado, foi executado a tiros o vereador Farid Charbell Badaoul Afif (DEM), de 37 anos, mas a polícia não vê relação entre os casos. De acordo com o secretário de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, Antônio Carlos Videira, o assassinato do vereador está sendo investigado pelas equipes da Delegacia Especializada de Homicídios. "Algumas linhas estão sendo checadas e logo vamos ter o esclarecimento do crime", disse.