Julgamento do caso da Boate Kiss é anulado

03/08/2022


A tragédia aconteceu em 2013 e deixou 242 mortos


O Tribunal de Justiça gaúcho decidiu nesta quarta-feira, 3, anular o julgamento que condenou os réus do caso do incêndio na Boate Kiss, que em 2013 matou 242 pessoas, e feriu mais de 600, em Santa Maria (RS). Com a nova decisão, os sócios da boate Elissandro Callegaro Spohr e Mauro Londero Hoffmann, o vocalista da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo de Jesus dos Santos, e o roadie do grupo musical, Luciano Bonilha, devem ser soltos e passar por novo julgamento. A decisão foi tomada pela 1ª Câmara Criminal da Corte, que julgou os recursos da defesa. O acidente foi considerado a segunda maior tragédia da história do país, pelo número de vítimas em um incêndio, sendo superado apenas pelo caso do Gran Circus Norte-Americano, em 1961, em Niterói, que matou 503 pessoas. Como começou o incêndio? No dia 27 de janeiro de 2013, a Boate Kiss sediou a festa universitária 'Agromerados’, marcando a formatura de cursos como Agronomia, Veterinária e outros, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). O fogo começou quando um sinalizador foi aceso pelo vocalista da banda que se apresentava na festa, por volta das 2h30. As centelhas disparadas pelo artefato atingiram parte do teto da boate, revestido por uma espuma para isolamento acústico, dando início ao fogo que rapidamente se alastrou. Com o incêndio, gases tóxicos foram liberados, o que causou as mortes, segundo a perícia. Muitas outras pessoas foram pisoteadas, em meio ao caos, também sofrendo ferimentos graves. Falhas na evacuação Os extintores de incêndio não funcionaram, pois estavam fora da validade, e a rota de fuga era prejudicada pela falta de saída de emergência na casa noturna. Além disso, um grupo de seguranças ainda impediu que parte das vítimas saísse, no princípio da confusão, a mando dos donos, para que pagassem as contas, segundo as testemunhas. Foram encontrados muitos corpos empilhados em frente à porta, e também nos dois banheiros da boate, locais para onde muitos dos jovens se dirigiram, na tentativa de escapar.