"Vamos ter que regulamentar as redes sociais", afirma Lula na Europa

19/11/2021


Para ex-presidente, notícias falsas motivaram a eleição de políticos da extrema direita



O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que em seus discursos já defendeu a regulação dos meios de comunicação, afirmou na quinta-feira, 19, em Bruxelas, que é necessário colocar um "parâmetro" nas redes sociais e na internet.


"Vamos ter que regulamentar as redes sociais, regular a internet, colocar um parâmetro. Uma coisa é você utilizar os meios de comunicação para educar. Outra coisa é para fazer maldade, contar mentiras, causar mal à sociedade", disse Lula. As declarações foram dadas em entrevista ao grupo S&D, na capital da Bélgica.


Na entrevista, o petista mirou Jair Bolsonaro, afirmou que o Brasil tem "um presidente que conta cinco mentiras por dia por meio das redes sociais" e disse que o País tem a necessidade de viver mais "democraticamente."


Para Lula, a proliferação de notícias falsas motivaram a ascensão e a eleição de políticos da extrema direita como Bolsonaro e o ex-presidente americano Donald Trump.


O petista também defendeu a responsabilização dos donos das plataformas sobre o conteúdo divulgado que causa dano à sociedade. "Essas pessoas precisam ter responsabilidade para não permitir que a maldade seja veiculada para causar mal às pessoas", disse.


Em setembro, Lula afirmou que, se eleito em 2022, pretende regulamentar os meios de comunicação. O assunto foi discutido na gestão do petista, principalmente no segundo mandato, mas não seguiu adiante. No final de outubro, após críticas de entidades ligadas à imprensa, Lula baixou o tom e disse que este é um assunto para ser discutido no Congresso, e não decidido pelo presidente da República.


O ex-presidente está na Europa à convite da Fundação Friedrich Ebert, associada ao Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), partido de centro-esquerda. Durante a viagem, Lula discursou no Parlamento Europeu, em Bruxelas, e se encontrou com lideranças políticas como os presidentes Emmanuel Macron (França), Pedro Sánchez (Espanha), e o futuro chanceler da Alemanha, Olaf Scholz.